Será que a dimensão afetiva está presente na EI?

Será que a dimensão afetiva está presente na EI?

15/12/2017 11:30:25 A professora Kátia Pelinson tem uma situação delicada à sua frente. Na sala de aula do Pré I, alunos jogam a Corrida das Fichas. Num tabuleiro, cada jogador tem uma trilha de casas a preencher com fichas coloridas; um por vez, lançam o dado, para saber quantas casas podem preencher; ganha quem primeiro completar sua trilha.
 
Kátia percorre a sala de olho nas partidas, que se desenrolam nas diversas mesas, quando um princípio de conflito lhe chama a atenção. “Agora sou eu!”, protesta um aluno. A professora vê o que se passa e, cuidadosamente, escolhe as palavras para mediar a situação.
 
“Gabi, o Fábio está entendendo que você está jogando o dado muitas vezes”, diz Kátia. A professora não repreende diretamente a aluna, não lhe ordena que passe o dado ao colega, nem determina que ele está com a razão: o Fábio está entendendo que. Ela não quer tomar a decisão pela aluna; quer que a aluna perceba o que tem de fazer. Que Gabi entenda que deve dar a vez para Fábio jogar.
 
A cena é exemplar de como Kátia e as demais professoras do AB Sabin lidam com crianças dessa faixa etária, que mal começaram a conhecer suas próprias emoções e a entender como elas se manifestam na vida em sociedade. Ante a raiva de um colega que não passa o dado, ou a falta de paciência para esperar a sua vez, o aluno receberá da professora não a solução de um problema, mas uma mediação.
 
“As experiências emocionais das crianças são acompanhadas e mediadas de modo a facilitar o processo de ensino-aprendizagem. Isso acontece em diversos momentos das aulas e em diferentes espaços da escola. Por meio da mediação das professoras, os alunos refinam suas emoções, desenvolvem empatia e se relacionam melhor com os colegas. E a qualidade dessa intervenção está em fazer a criança perceber suas emoções e ensiná-la a lidar com elas de forma construtiva”, explica Kátia Pelinson.
 
Uma criança empurra outra como revide de algo que lhe desagradou? “Eu entendi que você não gostou do que o colega fez, mas não precisa empurrar; fale para ele do que você não gostou”. Um aluno chora porque o outro não o escolheu para o time e, portanto, não são mais amigos? “Ele disse que não era seu amigo? Vamos conversar para ver se é isso mesmo?”
 
O trabalho envolve apresentar estratégias de negociação que, no futuro, os alunos terão em seu repertório. “Ao longo desse processo, a escola e a família são parceiros necessários. Há situações cotidianas em que a postura dos pais pode ser tão valiosa quanto uma lição na escola. Quando a criança grita para interromper a conversa da mãe, por exemplo, é preciso dizer: ‘Espera a mamãe terminar de falar’”, afirma Kátia.
 
Como resultado, a criança consegue perceber qual é a função social dela dentro de um grupo, além de reconhecer a própria identidade e a identidade do outro, o que contribui para o processo de ensino-aprendizagem e para a qualidade do relacionamento dessa criança com outras pessoas.

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